Brasil no Japão

Ronaldinho, Nakata, Dunga: Zico reúne lendas do futebol em jogo inédito no Japão

27/07/2025

Em entrevista exclusiva concedida horas antes do evento, Zico compartilha detalhes sobre o primeiro Jogo das Estrelas fora do Brasil – que acontece neste domingo (27) no Estádio Edion Peace Wing Hiroshima, marcando os 130 anos da imigração japonesa no Brasil e os 80 anos do bombardeio atômico.

Numa iniciativa inédita em suas 21 edições, o tradicional Jogo das Estrelas de Zico cruza oceanos para promover, através do futebol:
Uma mensagem de paz global – especialmente simbólica em Hiroshima
A união Brasil-Japão – celebrando décadas de intercâmbio cultural
O poder do esporte – com um time de lendas como Ronaldinho Gaúcho, Dunga e Nakata



1. Zico, esta é a primeira vez em 21 edições que o Jogo das Estrelas é realizado fora do Brasil. O que motivou a escolha do Japão como sede deste ano?

“A gente já vinha há algum tempo pensando em fazer no Japão, principalmente porque tivemos o apoio do presidente da J-League, que se encantou com o Jogo das Estrelas no Brasil. Ele esteve lá junto com o zagueiro do Urawa, o Túlio – daí surgiu a ideia de realizar aqui. A oportunidade veio neste ano comemorativo, quando se relembram os 80 anos do bombardeio de Hiroshima, e também pelos 130 anos da imigração japonesa no Brasil. Quisemos levar essa mensagem de paz e união… e conseguimos empresas parceiras como patrocinadoras.”

2. Hiroshima é uma cidade simbólica por sua história de paz e reconstrução após a Segunda Guerra Mundial. Como a escolha desse local para o Jogo das Estrelas reforça a mensagem de paz?

“O objetivo é levar uma mensagem de paz. Recebemos convites para ir a outros lugares, tivemos em SP também na época que o Maracanã estava com problemas de obras. O evento tem repercussão mundial, e as próprias autoridades foram favoráveis. O time da região, o Sanfrecce, é o detentor do estádio e tudo isso contribuiu para dar certo.”

3. Você comandará o Japan Legends, time que inclui ex-jogadores que dirigiram na Copa de 2006. Como é reunir esses atletas novamente?

“Agora é mais divertimento, foi um período maravilhoso. Foi uma época de evolução do futebol japonês. Hoje alguns trabalham no Kashima Antlers, outros na imprensa… Costumo me encontrar com alguns deles quando vou aos jogos nos estádios japoneses, mas sempre é muito legal revê-los. Nossa relação era fundamentada na confiança mútua total, pois eles percebiam que havia comprometimento e dedicação para ajudá-los no seu desenvolvimento. Eles perceberam que eu não era só um estrangeiro vindo disputar uma vaga. Viram que eu tinha outra finalidade e todos os envolvidos me ajudaram bastante. É importante ter uma mensagem que transmita segurança e eles tinham bastante confiança no nosso trabalho.”

4. O elenco tem grandes nomes como Ronaldinho Gaúcho, Dunga e lendas do futebol japonês. Qual a importância de ter essas personalidades envolvidas no projeto?

“É um jogo comemorativo que ficará marcado na história do futebol, terá projeção internacional pelo peso dos nomes que estarão presentes. Eu serei técnico do Japan Legends e o Nakata Hide será o técnico do World Legends no jogo que será realizado diante da torcida japonesa.”

5. O Japão tem uma grande comunidade brasileira, com jovens descendentes nikkeis. Você acredita que, no futuro, poderemos ver um grande talento do futebol surgir justamente dessa comunidade, misturando a técnica brasileira com a disciplina japonesa?

“Acho que têm aparecido talentos entre os jovens, não só no futebol mas em outros esportes também. O aparecimento de craques vai depender se Deus deu um talento pros meninos, mas você precisa também se dedicar e desenvolver. Precisa ter uma boa referência, mas que há possibilidade, há. Quanto mais oportunidades houver de ver grandes jogadores melhor, assim os garotos poderão se espelhar neles.”


Fotos: Muito ativo, Zico sempre que pode, tem interagido com a comunidade brasileira no Japão.

Fotos: Alex Santos Estúdio

Fonte: Redação Japão Aqui

Japão Aqui e o brasileiro cada vez mais “japonês”. De refugiado econômico a imigrante nipo-brasileiro, fizemos o caminho inverso dos japoneses que atravessaram oceanos após a segunda guerra mundial.

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