Rolha da champanhe dá um “baile” no Zico

 

No dia 18 de novembro passado, Hamamatsu recebeu a visita do ex-jogador Zico, para uma grande homenagem da comunidade brasileira. A primeira parte do evento foi no auditório do U-Hall, com capacidade para 500 pessoas, a maioria estudantes.

 

    Zico e Ieyasu-kun no palco do U-Hall de Hamamatsu

 

Houve sorteio de bolas, livros e exibição de lances de gols no telão, tiraram fotos e ganharam autógrafos do ex-camisa 10 do Flamengo, Kashima Antlers e seleção brasileira.

 

Zico posa para foto com a plateia do U-Hall

 

A segunda parte das homenagens foi um coquetel no Museé Yotsuike, para 150 convidados, entre os quais autoridades locais e o embaixador do Brasil, Eduardo Saboia. (foto abaixo)

 

O evento foi uma iniciativa do Consulado do Brasil em Hamamatsu. O Cônsul Aldemo Garcia foi até Kashima fazer o convite pessoalmente ao Zico, que aceitou prontamente.

Para este blogueiro também foi gratificante esse reencontro, pois venho acompanhando o Zico em incontáveis eventos esportivos, jogos e entrevistas desde 1996 (foto abaixo). Mas ainda não tinha uma camisa autografada por ele, devido à correria do trabalho de repórter na época.

 

Reportagens e entrevistas com Zico para o jornal International Press

 

Então desta vez tomei a atitude de tiete e entrei na fila para receber uma dedicatória na camisa Amarelinha da seleção brasileira. (foto abaixo)

 

 

CRÔNICA DE UMA DERROTA ANUNCIADA

Guardo muitas histórias do Zico que somente eu testemunhei, por ter sido o único repórter brasileiro a cobrir a fase de ouro do futebol da J-League.

Compartilho aqui com o amigo leitor uma recordação de novembro de 1999, o dia em que Arthur Antunes Coimbra, o Zico, levou um drible da rolha da champanhe. Isso mesmo! Acostumado a romper zagas, Zico tentou muito, mas não conseguiu sacar uma rolha da garrafa!

Foi na véspera da grande final da Copa Yamazaki Nabisco, entre Kashima Antlers treinado por Zico e Kashiwa Reysol, do técnico Akira Nishino (Nishino foi o técnico da Seleção Olímpica do Japão, que derrotou o Brasil de Zagallo por 1 a 0 na Olimpíada de Atlanta 1996).

No dia anterior ao jogo final, os organizadores realizaram uma festa de confraternização no Hotel Shin Takanawa Prince, em Tóquio, reunindo as duas equipes. Os jogadores se perfilaram no palco e cada técnico abriu uma champanhe para brindar.

O técnico Akira Nishino sacou a rolha sem o menor esforço. Mas a rolha da garrafa do Zico insistia em não sair. Zico balançava a cabeça, puxava a rolha mas nada. A rolha empacou feito mula teimosa. O garçom trouxe outra garrafa e … de novo a dita não saía. Zico desistiu. Então o garçom conseguiu sacar e todos brindaram! (foto abaixo)

 

 

Ao final da festa, fui falar com o Zico.

– Galo!!! Ainda bem que você não é piloto de Fórmula 1. Se estivesse no pódio, precisaria de um saca-rolhas para comemorar, hem!!

Zico entendeu a brincadeira, soltou um leve sorriso, esperançoso de conquistar o título no dia seguinte. O Kashima começou perdendo, mas virou o placar no segundo tempo, com dois gols relâmpagos em dois minutos. Com o 2 a 1, o Kashima Antlers estava com uma mão na taça de bicampeão. Nem o torcedor mais otimista acreditava na mudança de resultado.

Porém, a história do jogo começou a escrever novo capítulo aos 45 minutos do segundo tempo, com a expulsão do meia-ofensivo Bismarck, do Kashima Antlers.

O Reysol pressionou nos segundos finais e chegou ao milagre do empate aos 48 minutos. Mas a prorrogação terminou no mesmo 2 a 2.

Chegou a hora da verdade com a decisão nos pênaltis, e de novo empatou, 4 a 4. Foram precisos incríveis 12 cobranças, porque vieram as séries alternadas (o primeiro que errar perde). Mitsuo Ogasawara, do Kashima, chutou na direita, mas o goleiro Motohiro Yoshida fez bela defesa. A esperança ficou nos pés do zagueiro Shigenori Hagimura, do Reysol. Ele cobrou e converteu o gol do título. Kashiwa Reysol campeão!!!

 

 

Durante a volta olímpica, o treinador de goleiros do Kashiwa Reysol, o brasileiro Mario Soares, foi quem mais comemorou. Trouxeram uma garrafa de champanhe, Mario despejou a bebida dos campeões na taça e bebeu brindando diante dos 35 mil torcedores. E o técnico Nishino orgulhoso, já vencera Zagallo em 1996, e agora Zico em 1999.

Para supersticiosos como eu, a derrota do Zico e do Kashima Antlers foi premonição! Título decidido no palco do hotel, não no gramado. Não se ganha jogo na véspera, mas perder, sim! Urucubaca da rolha! Rolha de mau agouro! Quando os Deuses não querem, não há forceps que arranque título, muito menos saca-rolha. Para Zico, o grito de campeão ficou entalado na garganta. E a rolha, no gargalo.

Feliz 2022 aos amigos leitores!!!

 

OSNY ARASHIRO – Jornalista, no Japão desde 1995, cobriu Copa do Mundo (França 1998, Japão/Coreia 2002) e 15 Mundiais de Clube. Metaleiro, roqueiro, pagodeiro e outros “eiros” e, claro, Dylaniano/Dylanesco… e Raul Seixas

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Japão Aqui e o brasileiro cada vez mais “japonês”. De refugiado econômico a imigrante nipo-brasileiro, fizemos o caminho inverso dos japoneses que atravessaram oceanos após a segunda guerra mundial.

Em 2007 após atingir a marca de 316.000 brasileiros oficialmente residentes no Japão o “Lehman shock” em 2008, esvaziou nossa comunidade em cerca de 140.000 pessoas, nos anos que se seguiram. Hoje em 2019, voltamos a crescer atingindo a marca de 193.798 brasileiros residentes (junho-2018 / Ministry of Internal Affairs and Communications).

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