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Meu dia de Ronaldinho Gaúcho no Ecopa

Há 20 anos Ronaldinho Gaúcho marcava o golaço da Copa do Mundo 2002 e Estádio Ecopa mantém exibição permanente do pentacampeonato da seleção brasileira

Perdi a conta de quantas vezes revi no YouTube o gol do Ronaldinho Gaúcho contra a Inglaterra, naquelas quartas de final da Copa do Mundo, dia 21 de junho de 2002, no Estádio Ecopa de Fukuroi (Shizuoka).

Ronaldinho Gaúcho, o malabarista do futebol-arte

Ao comemorar duas décadas da conquista do Penta pelo Brasil, relembro o dia quando realizei o sonho de pisar no gramado do Ecopa, no mesmo lugar de onde Ronaldinho marcou aquele golaço de falta, fechou o placar em 2 a 1 e classificou o Brasil para a semifinal.

Foi obra de arte! Na Pátria de Chuteiras, só Ronaldinho Gaúcho tem pincel nos pés. Falta na intermediária, a 30 metros das traves. Apenas um inglês na barreira. No placar, 1 a 1. Ronaldinho Gaúcho chuta com efeito, parecia a folha seca do saudoso Didi. A bola descreve uma curva, encobre o goleiro Seaman e cai de chuá na forquilha, 2 a 1. Michael Jordan, Shaquille O’Neal, quero ver vocês fazerem igual!

Ilustração do gol de falta do Ronaldinho Gaúcho

Ronaldinho Gaúcho saiu comemorando pela lateral, correu até perto do escanteio e na pista de atletismo sambou para a torcida. Até hoje se discute: ele cruzou ou chutou direto para o gol? Deixa pra lá! Ganhamos, é o que importa.

Todas as vezes que fui ao Ecopa, aproximava da lateral do gramado e imaginava como o Gaúcho marcou aquele gol histórico. Sempre sonhei em pisar exatamente no local, para sentir a distância da genialidade de uma cobrança de falta. Mas pisar no gramado é proibido e o fotógrafo pode até perder sua credencial.

No final de março de 2014, a administração do Ecopa anunciou a realização de um evento no qual os torcedores poderiam pisar no gramado, conhecer o estádio e os primeiros 200 visitantes ganhariam um vaso com grama da mesma espécie utilizada naquele campo. Chamei um monte de amigos para pisar naquele gramado comigo. Até levaríamos uma bola.

Mas São Pedro estraga festas e também estragou a nossa. Cancelamos a ida porque choveu muito. Deus é brasileiro! Mas São Pedro, acho que não!

Porém, eu havia decidido a pisar naquele gramado. E no dia seguinte, céu claro, fui sem avisar ninguém, sem reservar horário. Tudo que combina, não dá certo. Surpresa é o melhor contra-ataque! A desculpa foi visitar o museu do estádio. E assim fiz.

Depois fui até a pista de atletismo e comecei a tirar fotos. Um jardineiro que cuidava do gramado se ofereceu para tirar minha foto. Agradeci, mas disse a ele que meu sonho era pisar no gramado, no mesmo local onde Ronaldinho Gaúcho cobrou a falta.

Pode entrar, vai lá!! O jardineiro acabou virando meu fotógrafo. Segui para o local exato. Sentia como um dos 11 do técnico Felipão. Fiz uma pose como se observasse o goleiro.

Este blogueiro no local da falta: não podemos imitar Ronaldinho Gaúcho, mas podemos admirá-lo 

Clica aí, por favor!! Eu estava a trinta metros das traves! É muita distância! Só aumentou minha admiração pelo Gaúcho. Aquele chute genial!

Obrigado, jardineiro! Os humildes de profissão têm o coração grandioso. O velho jardineiro entendeu minha alegria, minha vontade de pisar naquele gramado, meu sonho realizado. No Japão também existe o “jeitinho brasileiro”. Mas não deixa São Pedro saber disso.

ECOPA SPORTS MUSEUM

O Estádio Ecopa recebeu três jogos na Copa 2002: Camarões 0 X 2 Alemanha e Bélgica 3 X 2 Rússia na fase de grupos e Brasil 2 X 1 Inglaterra, pela quarta de final.

A passagem dos Canarinhos por este estádio está eternizada no painel de autógrafos: Ronaldinho Gaúcho, Kaká, Luizão, Denilson, Ronaldo Fenômeno, Vampeta, Cafu, Edmilson.

Na galeria de fotos, um momento memorável, quando Rivaldo empatou e comemorou balançando a camisa azul.

Uma rara foto autografada mostra o Rei Pelé ao lado do ex-jogador Sugiyama Ryuichi, integrante da seleção do Japão de futebol, que conquistou a medalha de bronze na Olimpíada do México 1968.

Na galeria de bolas temos a Brazuca, a bola utilizada na Copa do Mundo Brasil 2014. Também estão à mostra a Telstar (México 1970), a Questra (EUA 1994) e Fevernova (Coréia-Japão 2002) com as quais o Brasil sagrou-se campeão e todas da fabricante Adidas, a fornecedora oficial de bolas da Copa do Mundo.

FUTEBOL E ARTE

Apesar do Brasil não jogar mais o Futebol-Arte, a arte brasileira ainda está presente a caminho do Estádio Ecopa, no 2002 Memorial Road, a avenida que liga a estação JR Aino até o estádio. Nesse percurso de 1.200 metros, estão em exibição permanente a céu aberto 18 obras artísticas. Os autores foram selecionados entre os países sedes de copas passadas.

O Brasil está representado pela escultura Terreno Baldio FC, do arquiteto e artista plástico Oscar Satio Oiwa. Com 5 metros de altura por 4,5 metros de largura, construído de concreto armado com a cor amarela, o artista teve a ideia a partir das lembranças da infância, quando jogava futebol na rua e as paredes ficavam com marcas da bola.

QUE  VENHA  A  INGLATERRA  DE  NOVO

Os ingleses inventaram o futebol como ele é jogado hoje, mas não são os donos da bola!

O Ecopa é um dos quatro estádios que receberam Brasil e Inglaterra na história da Copa do Mundo: na Suécia 1958, ficaram no 0 a 0; no Chile 1962, os Canarinhos venceram por 3 a 1 nas quartas de final; no México 1970, vitória verde-amarela por 1 a 0 na fase de grupos e na Coréia-Japão 2002, a equipe de David Beckham voltou a perder, por 2 a 1.

A história não deixa mentir, o Brasil nunca perdeu para a Inglaterra em Copa do Mundo. E nas vezes em que jogaram, os Canarinhos foram campeões. Se Brasil e Inglaterra cruzarem a partir das semifinais da Copa do Catar 2022, que a boa sorte dos Canarinhos volte a derrotar o English Team. Não sendo com futebol-arte, que seja com gol-arte, igual aquele do bruxo Gaúcho.

Ecopa Sports Museum (エコパスポーツミュージアム) – Estação Aino da linha JR Tokaido; 15 minutos de percurso a pé de 1.200 metros até o estádio pela 2002 Memorial Road. Museu fica no térreo do Ecopa, entrada pelo “entrance hall”. Ingresso grátis. Horário: 09h00 – 17h00 Endereço: 437-0031 Shizuoka – Fukuroi-shi – Aino 2300-1 TEL 0538 41 1800

OSNY ARASHIRO – Jornalista, no Japão desde 1995, cobriu Copa do Mundo (França 1998, Japão/Coreia 2002) e 15 Mundiais de Clube. Metaleiro, roqueiro, pagodeiro e outros “eiros” e, claro, Dylaniano/Dylanesco…

MAIL: [email protected]

Japão Aqui e o brasileiro cada vez mais “japonês”. De refugiado econômico a imigrante nipo-brasileiro, fizemos o caminho inverso dos japoneses que atravessaram oceanos após a segunda guerra mundial.

Em 2007 após atingir a marca de 316.000 brasileiros oficialmente residentes no Japão o “Lehman shock” em 2008, esvaziou nossa comunidade em cerca de 140.000 pessoas, nos anos que se seguiram. Hoje em 2019, voltamos a crescer atingindo a marca de 193.798 brasileiros residentes (junho-2018 / Ministry of Internal Affairs and Communications).

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