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Leila, a bela da praia

Depois de conhecer Leila Barros, a Musa do Vôlei, passei a madrugada cochilando em banco de madeira à beira de estrada, feito um sem-teto

Desde quando o vôlei de praia foi incluído nos Jogos Olímpicos em Atlanta 1996, pelo menos uma dupla brasileira subia ao pódio. Às vezes o Brasil fazia a dobradinha, ganhando ouro e prata, ou prata e bronze. Porém, em Tóquio 2020 nenhuma dupla brasileira, no masculino ou feminino, subiu ao pódio para receber medalha. Que pena!

 

                                 Leila Barros em Osaka, durante o Circuito Mundial de

                                 Vôlei de Praia da FIVB 2002

                                 

Foi-se a medalha, restam as boas lembranças! Recordo aqui o dia quando fui passar férias em Osaka, a convite do amigo Kendi, mas, na verdade, eram férias com sabor de trabalho, pois fomos assistir uma etapa do Beach Volleyball World Tour 2002 e, para não perder a viagem, acabei escrevendo reportagem para o jornal no qual trabalhava.

O amigo Kendi queria muito me apresentar a bela jogadora Leila Barros – que por sinal eram grandes amigos sim! E ela estava disputando aquele Mundial em Osaka, entre os dias 7 a 11 de agosto de 2002.

 

Para quem não se recorda da eterna “Musa”, Leila Barros defendeu a seleção brasileira de vôlei de quadra nos Jogos Olímpicos de Atlanta 1996 e Sidney 2000, conquistando duas medalhas de bronze. E nos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg 1999, recebeu a medalha de ouro. De 2001 a 2003, atuou no vôlei de praia fazendo dupla com Sandra Pires. Atualmente Leila mora em Brasília, pois em 2018 foi eleita senadora.

Mas voltando àquele verão de 2002, eu não pretendia ver bolas nem chuteiras durante minhas férias. Estava esgotado porque havia trabalhado duro na Copa do Mundo 2002, da qual o Brasil sagrou-se pentacampeão. E merecia um bom descanso.

Mas nada mal ver Leila Barros na praia. Assim, o amigo Kendi me convenceu a viajar a Osaka, com a promessa de me apresentar a Leila.

Ficamos no hotel Holliday Inn, o mesmo da Leila. Era a estratégia para ficar próximo das jogadoras. Também estavam a amiga japonesa Yukiko e a chinesa Maggie, de Hong Kong, todas tietes da Leila (foto abaixo).


Tietes da Leila: Osny ao centro em pé; ao meu lado direito, o amigo Kendi

 

– Oi Alexandre, meu amor!!! Assim Leila recebeu Kendi pelo seu nome brasileiro, no saguão do hotel com um abraço. Ele é tiete dos mais “carrapatos” pois para ver Leila viajou para Toyama, Nagoia, Osaka, Okasaki, Tóquio e até Filipinas.

Ao me apresentar Leila, pareceu ser mais bela ainda, com enorme sorriso e um par de olhos verdes cintilantes.

 

– Leila, lembra a primeira vez que aproximei de você? Indagou Kendi. Foi em 95, quando entrei na fila para tirar fotos com você. Um torcedor da arquibancada gritou: “Leilaaa! Me dá de presente seu sutiã”. Você olhou e só balançou a cabeça com um “não!”

 


 Leila, Ana Paula e Osny no Holliday Inn de Osaka

Sentada no sofá, Leila conversava com a gente em português, com Maggie em inglês e Yukiko também em português, pois ela estudou o idioma só para conversar com a jogadora. Começou a “salada russa”. Maggie insistia em um socket. Mas entendemos soccer (futebol). Por que falar de “soccer” nessa hora? Depois de desenhos no caderninho, conseguimos o tal “soquete” para Maggie recarregar a bateria de sua filmadora.

 


Com Leila no conforto do Holliday Inn, mas à noite madruguei na beira da estrada

 

No dia seguinte, Leila voltou a nos receber no saguão. Yukiko também tinha uma filmadora e mostrou um vídeo almoçando com Leila em um restaurante japonês. “Sempre adorei comida japonesa”, disse Leila, “gosto de sashimi, yakisoba e sei comer de pauzinhos”.

 

 

Ao nos despedirmos, tiramos mais fotos com Leila e ganhamos autógrafos. De repórter, virei tiete. E na volta, ficamos “só o pó” depois de passear na Universal Studios. À noite, Kendi parou o carro numa área de serviço na rodovia, para dormir e enfrentar a estrada.

De madrugada, saí do carro para esticar as pernas. Mas ao voltar, a trava da porta estava trancada. Kendi deve ter esbarrado na tranca enquanto dormia. Decidi não atrapalhar o sono do motorista, afinal, ele precisava estar bem descansado para seguir viagem.

Esperei o raiar do sol deitado no banco de madeira, entre mil estrelas no céu, caminhoneiros de passagem e incontáveis latinhas de cerveja ao meu redor.

 

 

A vida muda da manhã para a noite. Naquela manhã estava sentado no sofá macio do hotel com Leila perfumadinha. Mas na madrugada, eu me sentia um sem-teto cochilando em banco de beira de estrada. Vinham lembranças da bela da praia chamuscada de areia, feito bife à milanesa.

No ano seguinte, Kendi me convidou para ir a Osaka de novo. Mas deixei pra lá, é muita areia para o meu caminhão….

 

 

OSNY ARASHIRO – Jornalista, no Japão desde 1995, cobriu Copa do Mundo (França 1998, Japão/Coreia 2002) e 15 Mundiais de Clube. Metaleiro, roqueiro, pagodeiro e outros “eiros” e, claro, Dylaniano/Dylanesco… e Raul Seixas
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Japão Aqui e o brasileiro cada vez mais “japonês”. De refugiado econômico a imigrante nipo-brasileiro, fizemos o caminho inverso dos japoneses que atravessaram oceanos após a segunda guerra mundial.

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