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Hamamatsu recupera a coroa de Rei do Gyoza

Ao desbancar Utsunomiya (Tochigi) Hamamatsu se torna a maior consumidora de Gyoza do Japão

Hamamatsu, na província de Shizuoka, conhecida como a Cidade da Música e a Cidade dos Brasileiros, volta a ostentar o título de Cidade do Gyoza.



Já provou gyoza né? Aquela massa folhada recheada de carne moída e legumes, parecido com ravióli (foto abaixo).



Segundo pesquisa domiciliar divulgada no último dia 5 de fevereiro, pelo Ministério de Assuntos Internos e Comunicações do Japão, Hamamatsu foi a maior consumidora de gyoza por família, ocupando o topo do Japão em 2020.

Na terceira posição, a disputa sempre oscilou entre Kagoshima, Quioto e Miyazaki.

Hamamatsu Gyoza Matsuri

Segundo a pesquisa, cada família de Hamamatsu gastou em média ¥ 3.766 no consumo de gyoza em 2020, enquanto Utsunomiya foi de ¥ 3.693 – meros ¥ 73 de diferença, porém, muito comemorado pelas autoridades e comerciantes locais.

Se comparar com os índices de 2019, Utsunomiya reduziu em ¥ 666 o consumo, enquanto Hamamatsu aumentou em ¥ 260.

Conforme a pesquisa domiciliar, os valores de compra são para gyoza grelhado e cru, vendidos em supermercados e lojas especializadas. Não inclui o consumo em restaurantes e os gyozas congelados.

Longa fila para comprar gyoza de várias regiões

Há anos, Hamamatsu e Utsunomiya brigam e se revezam na liderança (veja quadro da disputa ano a ano no final do texto). Porém, foi a partir de uma batalha real que o gyoza aportou no Japão. Quando os soldados japoneses voltaram da Manchúria após a Segunda Guerra, trouxeram junto a receita do gyoza.

Importante lembrar que na última década, quando em 2011 Hamamatsu desbancou Utsunomiya pela primeira vez, o fator essencial foi devido a tragédia de Tohoku em 11 de março, com tsunami e terremoto. Os apagões limitaram o funcionamento do comércio em Utsunomiya, resultando em baixo consumo e a perda do título de Cidade do Gyoza para Hamamatsu.

Desta vez, o Corona Vírus e o consequente distanciamento social também foram peças importantes, ao reforçarem o hábito da população de Hamamatsu na cultura do Take Out (comida para viagem). Hamamatsu é uma cidade industrial, portanto, com milhares de operários. Ao chegar à noite do trabalho, as esposas preparam comidas rápidas para o marido e o gyoza faz parte da mesa de refeições.


NÃO BASTA SER!
É PRECISO PARECER SER !


Para mostrar ao mundo que Hamamatsu é a Cidade do Gyoza, desde 2012 a Hamamatsu Gyoza Society realiza o Hamamatsu Gyoza Matsuri, no Act Dori, perto do prédio da Imigração.

Devido ao corona vírus, a edição de 2020 foi cancelada e a de 2021 ainda é incerta.



O evento fica pertinho de casa, então todos os anos dou uma passadinha por lá. São cerca de 30 estandes especializados em gyoza, originários de várias províncias, entre as quais, Okayama, Hokkaido, Fukushima, Gifu e da cidade de Osaka. Utsunomiya também participa, deixando as rivalidades de lado, após recusa nas duas edições iniciais.



Os consumidores fazem fila para adquirir a preços módicos, um seto com quatro gyoza a ¥200. O povo senta no gramado ou nas mesinhas armadas para degustar e depois enfrenta outra fila para experimentar gyoza de outras províncias. O produto local mais famoso é o Gyoza de Hamamatsu, acompanhado de bastante moyashi (broto de feijão) conforme estande abaixo.



Sempre pego fila na barraca do Suzono Gyoza, de Gotemba, pois aprecio muito o Sui-gyoza, servido com um ensopado de legumes e cogumelos ao preço de ¥ 300 (foto abaixo).



Bandas musicais se apresentam no palco armado, além de outras atrações para a famíla toda. Um concurso é realizado entre os melhores restaurantes de gyoza da região de Hamamatsu e o vencedor ganha o troféu Frigideira de Ouro (foto abaixo).




Os orgulhosos cidadãos de Hamamatsu acreditam que esta “terra é abençoada por Deus e bonita por natureza”, por ser a cidade mais ensolarada do Japão, com média de 227 dias de sol por ano, superando Okinawa (187 dias, ilha Ishigaki).

O inventor da motocicleta que leva seu sobrenome, Soichiro Honda, nasceu em Hamamatsu. Por isso, nada estranho ser chamada não oficialmente de a “Cidade das Motocicletas”. Igualmente, os criadores dos pianos Yamaha e Kawai começaram seu império em Hamamatsu. Sendo assim, é conhecida também por “Cidade da Música”. Chegou a vez do gyoza…! Que título mais Hamamatsu vai querer?!






OSNY ARASHIRO – Jornalista, no Japão desde 1995, cobriu Copa do Mundo (França 1998, Japão/Coreia 2002) e 15 Mundiais de Clube. Metaleiro, roqueiro, pagodeiro e outros “eiros” …

Japão Aqui e o brasileiro cada vez mais “japonês”. De refugiado econômico a imigrante nipo-brasileiro, fizemos o caminho inverso dos japoneses que atravessaram oceanos após a segunda guerra mundial.

Em 2007 após atingir a marca de 316.000 brasileiros oficialmente residentes no Japão o “Lehman shock” em 2008, esvaziou nossa comunidade em cerca de 140.000 pessoas, nos anos que se seguiram. Hoje em 2019, voltamos a crescer atingindo a marca de 193.798 brasileiros residentes (junho-2018 / Ministry of Internal Affairs and Communications).

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