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Dá-lhe Porco!!! Sou o mais infiel dos Fiéis corintianos!

Vou torcer para o arquirrival Palmeiras neste Mundial de Clubes, porque antes um time brasileiro campeão do que os arrogantes europeus

Sou Corinthians desde pequenininho! No meu caso essa afirmação está 100 por cento correta! E explico logo adiante! Mas vou torcer para o arquirrival Palmeiras neste Mundial de Clubes 2022 (Palmeiras estreia na semifinal dia 8 de fevereiro, contra o vencedor de Al Ahly).

Se o Palmeiras conquistar seu primeiro título Mundial de Clubes-Fifa, finalmente acabará a velha zombaria “Palmeiras não tem Mundial”.

Por que sou Corinthians desde pequenininho?

Porque nasci na cidade de Presidente Prudente, interior paulista, e o time local era o Esporte Clube Corinthians de Presidente Prudente, conhecido por Corintinha. E nossa família morava bem na rua do estádio, quase atrás do gol.

O Esporte Clube Corinthians de Presidente Prudente foi fundado em 8 de fevereiro de 1945 por um grupo de torcedores descontentes com o time da cidade, a Prudentina (fundado em 1936) pois usava as cores da bandeira do município: branco, vermelho e preto. Eles se recusavam a torcer pelo Tricolor de Prudente.

Ao fundarem um cover do Timão, o Corinthians de Prudente, foram atrás de patrocinadores e o negócio fechou com um grupo de cinco imigrantes japoneses, plantadores de algodão e amendoim.

Mas havia uma condição, eles queriam jogar no time! Na várzea o dono da bola sempre joga! Lá no interior também! E a primeira formação do Timão de Prudente tinha cinco japoneses, entre os quais, um chamado Gushiken! Ele jogava com um tampão no olho esquerdo porque perdeu a visão ao trombar com arame farpado jogando pelada.

   No Timão de Prudente, Gushiken jogava com um tampão no olho (foto Internet)

Moramos nessa rua do Corintinha até meus seis anos de idade. O estádio era humilde, inclusive também foi batizado de Parque São Jorge. Um setor das arquibancadas era de concreto, o outro era de madeira como nos antigos circos. Um dia perguntei para o meu irmão mais velho porque voavam bolas daquelas paredes de tábuas, que eram as cercas do estádio. Um dia meu irmão pegou uma pedra e procurou uma tábua podre, deu uma pancada, abriu um furo e assim assisti meu primeiro clássico, pelo buraco da fechadura, aí o futebol entrou na minha vida.

Alguns dos amiguinhos daquela rua moravam sob casas embaixo da arquibancada. Seus pais eram funcionários do Parque São Jorge e por isso moravam lá. Então no segundo tempo dos jogos, o bilheteiro sempre deixava entrar um bando de molecada que morava naquela rua, e fui nessa!

Como não torcer para o Timão da Capital, tendo uma infância assim?

Mas o coração mudou a partir de 1995, quando fui cobrir pela primeira vez o Mundial de Clubes (Copa Intercontinental/Copa Toyota) em Tóquio. Decisão entre Grêmio de Porto Alegre e Ajax de Amsterdã. O coração brasileiro falou mais alto, pois para os holandeses que não torceria.

O Grêmio era treinado por Felipe Scolari. Mas o Grêmio perdeu na disputa por pênaltis. Meu sentimento era de uma derrota da seleção brasileira, porque a brasilidade para mim fala mais alto.

Como repórter de esportes, ao cobrir jogos do Mundial de Clubes, passei a não distinguir cores das camisas e torcer para todo time brasileiro. Qual repórter não deseja escrever sobre um time do Brasil campeão mundial? Porém, amarguei muitas decepções, com derrotas do Grêmio de Porto Alegre, Cruzeiro, Vasco da Gama, Palmeiras.

   Matéria do International Press sobre a derrota do Palmeiras em 1999 para o Manchester United

É de doer a arrogância europeia sobre os times brasileiros! Perfilados, os jogadores entram em campo e os europeus parecem ter escritos na testa o já ganhei!

Felipe Scolari voltaria a Tóquio em 1999, desta vez como treinador do Palmeiras, em decisão do Mundial de Clubes contra o Manchester United. O Verdão amargou derrota com aquela típica jogada inglesa, o chuveirinho na área. Ryan Giggs cruzou da esquerda, mas o goleiro Marcos falha ao tentar espalmar e a bola cai nos pés de Roy Keane que escora para fazer 1 a 0.

Naquele Mundial foi mais fácil o acesso a Felipe Scolari. Fui cobrir também o jogo treino do Palmeiras contra o Kawasaki Frontale, em um campo ao lado do Estádio Internacional de Yokohama. Felipão perdeu dois Mundiais de Clube, mas dali a três anos, conquistaria o pentacampeonato com a seleção brasileira naquele estádio ao lado.

“Hoje o xerifão está de bom humor”, comentavam os jornalistas que vieram de São Paulo. Felipão contou sobre seus dias de treinador na Arábia Saudita. Todas as sextas-feiras fazia churrasco com carne australiana no condomínio onde morava. Mas um dia chamaram o bombeiro, pensando que fosse incêndio. “Não, gente! É barbecue!”

  Matéria do jogo treino do Palmeiras antes da decisão contra o Manchester United

De seus tempos no Japão treinando o Jubilo Iwata em 1997, Felipão conservou o hábito de não jogar lixo no chão. Ao voltar para o Brasil, quando ele comia uma banana, os amigos diziam: Felipão, joga essa casca! “Mas eu ficava com a casca da banana até achar uma lata de lixo!”.

Antes de me tornar repórter esportivo, certa ocasião, durante

um jogo do Corinthians no Estádio do Pacaembu na década de 80, fiquei na arquibancada do Tobogã, onde estava a torcida Fiel.

Um torcedor ficou surpreso com a minha presença:

Ô “japoneis, que você tá fazendo aqui?

Tô assistindo o jogo, ué!!

Japoneis curintiano? Ah! Não sei não, hem! Japoneis é tudo são-paulino ou palmeirense …!!

Olhei para todos os lados, realmente não consegui avistar um único torcedor nikei entre os Gaviões! Mas respondi:

Meu amigo, você não conhece a história do time da minha cidade, o Corintinha de Presidente Prudente …

OSNY ARASHIRO – Jornalista, no Japão desde 1995, cobriu Copa do Mundo (França 1998, Japão/Coreia 2002) e 15 Mundiais de Clube. Metaleiro, roqueiro, pagodeiro e outros “eiros” e, claro, Dylaniano/Dylanesco… e Raul Seixas

mail: [email protected]

Japão Aqui e o brasileiro cada vez mais “japonês”. De refugiado econômico a imigrante nipo-brasileiro, fizemos o caminho inverso dos japoneses que atravessaram oceanos após a segunda guerra mundial.

Em 2007 após atingir a marca de 316.000 brasileiros oficialmente residentes no Japão o “Lehman shock” em 2008, esvaziou nossa comunidade em cerca de 140.000 pessoas, nos anos que se seguiram. Hoje em 2019, voltamos a crescer atingindo a marca de 193.798 brasileiros residentes (junho-2018 / Ministry of Internal Affairs and Communications).

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