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20 anos do Penta: Em 2002 foi a “Copa do motel”

Além das boas lembranças do pentacampeonato na Copa do Mundo Fifa 2002, houve também situações engraçadas, como hospedagens em motéis por falta de quartos em hotéis normais

A Copa do Mundo-FIFA Coreia/Japão 2002 foi a última que o Brasil conquistou, ao vencer a Alemanha, no dia 30 de junho em Yokohama, portanto há duas décadas!

Mas para mim também foi marcante por um fato inusitado!

Este blogueiro ao desembarcar na Coreia do Sul para cobrir a Copa do Mundo 2002

Imagina a cena: você se hospeda em um quarto de motel na cidade de Ulsan, Coreia do Sul, deixa seus pertences e depois sai para outros afazeres.

Ao retornar, você abre a porta do quarto e depara com um par de sapatos masculinos que não é o seu. A primeira reação é sair de mansinho e conferir se o número do quarto está correto, não é não?

Conferi o número da chave, olhei para o número da porta, tudo conferia. Então entrei de novo. No corredor do quarto, apenas uma penumbra. Seria romântico se fosse uma bela companhia.

Ahh!! Se aquele par de sapatos fosse salto agulha!! Que fosse apenas um pé, ainda assim poderia sonhar com a Cinderela! Que nada!

Então seria o faxineiro, logo agora? Um ladrão? Ricardão flagrado fugiu pela janela e deixou os sapatos? Pois existem muitos casos de alguém esquecer peças íntimas no motel, certo? Mas par de sapatos …

Um mistério envolvia até acender a luz. Daí, o susto foi maior. Vi alguém no chão deitado no tapete. Santo Buda do céu!! Foi crime passional? Um defunto no meu quarto, pensei! O “defunto” começou a se mexer e despertou. Daí, fui eu que pensei em fugir pela janela. Porém, o mal entendido logo esclareceu.

O rapaz entrou no meu quarto enquanto eu estava no Centro de Imprensa, no hotel Hyndai, onde a seleção brasileira concentrava.

Hotel Hyndai, em Ulsan, onde a seleção brasileira se hospedou durante a fase da Coreia do Sul

Fiquei tarde da noite entrevistando vários jogadores e despachando pela internet algumas matérias para o jornal que eu trabalhava.

Ronaldinho Gaúcho ainda se consagraria como o Melhor do Mundo

O rapaz foi assistir Brasil X Turquia e ficou sem hospedagem, então o organizador da excursão o colocou em meu quarto e na minha ausência não teve como me avisar. Ao chegar tarde da noite no motel, encontrei o rapaz dormindo no tapete.

Rimos barbaridade. Esse rapaz era meu conhecido, era o garção da antiga churrascaria Sabbath, de Tóquio (depois mudou o nome para Copa Tokyo). Mas enrolado no tapete, como poderia reconhecê-lo?

O amigo dormiu no tapete e lá pelas seis da manhã foi embora de volta ao Japão, nem vi quando ele partiu.

Júnior, comentarista e ex-lateral da seleção brasileira, também se hospedou nesse motel com a equipe da TV Globo

Tempos depois, quando eu ia ao Copa Tokyo, sempre a gente gargalhava muito ao lembrar desse episódio.

A matemática explica: durante a Copa 2002, os coreanos esperavam cerca de 650 mil torcedores para uma oferta de 40 mil quartos de hotéis. A solução: “love hotel”, que no Brasil é chamado de motel, aquele para casais. Na Coreia do Sul, a pronúncia é quase idêntica a do Japão: lovu hotée. Muitos torcedores pernoitaram em motéis durante a primeira fase daquele mundial – inclusive eu.

Sim! Tinha luz negra e vermelha, banheira enorme, aqueles vídeos. Eu dormi na cama e o amigo no tapete. Cada um na sua, né?

Hotel Hyundai: Arnaldo Cezar Coelho (em pé ao centro), Leonardo (sentado à esquerda) e Júnior

Um quarto normal naquela época custava U$ 23, com sauna o preço era U$ 55. Durante o Mundial, os quartos não foram alugados por hora, mas por pernoite, representando grande prejuízo aos donos dos motéis.

No Brasil, a falta de hotéis para a Copa do Mundo 2014era sentida com antecedência, apesar do Ministério do Turismo calcular que haveria mais de 740 mil vagas. Numa emergência, seriam utilizados os albergues da juventude – no Japão é conhecido por hostel. Eram 108 albergues em todo o Brasil, tudo simples, barato, nada de luxo – nem glamour de motel.

O Rio de Janeiro tem know how para tanto, desde a época dos festivais Rock in Rio. Na época da Copa do Mundo a Cidade Maravilhosa contava com 180 motéis e cerca de 60 adaptaram para receber turistas. Retiraram os espelhos dos tetos, a cama redonda e os vídeos adultos.

A motelaria ganhou um bom dinheirinho, levando em conta que a abertura da Copa foi justamente no dia 12 de junho, que no Brasil comemora-se o Dia dos Namorados.

OSNY ARASHIRO – Jornalista, no Japão desde 1995, cobriu Copa do Mundo (França 1998, Japão/Coreia 2002) e 15 Mundiais de Clube. Metaleiro, roqueiro, pagodeiro e outros “eiros” e, claro, Dylaniano/Dylanesco…

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